Esta manhã apareci com uma caixinha de bombons de chocolate à tua porta. Esperei, de pé, abrigada da chuva mas não do frio, cerca de uma hora e meia e nada, nem um único movimento. Talvez tenha sido culpa minha porque não bati nem toquei, mas só queria saber se conseguias sentir a minha presença sem saberes que estava ali. Estava gelada, petrificada e já não sentia os dedos. O meu corpo estava tão gelado que as lágrimas pareciam ferver no rosto; Não aguentei mais, deixei a caixinha acima dos dois degraus que nos levam à tua porta e nos convidam a entrar, mas não basta o convite deles... Não trouxe guarda chuva porque quando me levantei alguns raios de sol, timidamente, rasgavam o céu, portanto, caminhei pela rua de sentido único, cabisbaixa. Só queria estar contigo e agradecer-te o que me dás, mas pelos visto, não valia a pena. Estiveste fora um fim-de-semana e foi o suficiente para deixares de sentir o quanto eu me sentia presente em ti. Estranho era que eu sabia que estavas de pé, e que estavas em casa. Cheguei a casa e já não conseguia distinguir as lágrimas da chuva de tão molhado que estava o meu rosto. Uma mensagem de voz no atendedor. De quem seria, logo de manhã? Eras tu. "Não consegui parar de olhar para ti, esperava que tocasses para eu abrir, ou acordar, porque tudo agia em câmara lenta e eu parecia estar num sonho. Tinha saudades de te contemplar. És linda, sabias?"Tentei ligar-te então, várias vezes. Estava inquieta, sentia-te ao meu lado e tu não estavas.
Corri a casa, tu não estavas.
Decidi procurar-te na rua, abri a porta e tu estavas lá, com a minha, nossa, caixinha de bombons.