sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Após sair de casa e ter esperado algum tempo pelo primeiro autocarro entrei e, num pedido de bilhete mudo, mostrei o dinheiro ao Sr. motorista, sorri-lhe de mansinho, agradecendo e recostei-me num canto enquanto o meu olhar se perdia no "qualquer coisa" lá de fora.
Saí sem dizer uma única palavra a quem quer que fosse, andei um pouco às voltas e, por fim, segui em direcção ao meu destino.
Era daqueles momentos que não queria ouvir nada nem mesmo ver ninguém além do que ouvia de dentro e via, transformado, lá fora, ou talvez não visse, mas queria ver.
Caminhei, a passos lentos, até ao areal. Sentei-me perto da beira-mar e permaneci por "não sei quanto" tempo. Sentia que não havia ninguém apesar da quantidade de surfistas e famílias que caminhavam na praia, sentia um silêncio de morte para além das ondas e da melodia que se ouvia através dos headphones.
Vidravam-se os olhos, cerravam-se juntamente com a boca enquanto uma sensasão quente percorria a bochecha. Quem disse que chorar é uma vergonha?
Levantei-me, sem vontade, e fiz o mesmo percurso até casa.
Sentia-me só, e o meu maior medo sempre foi a solidão.
Não existiu tempo porque nenhum do tempo que se passou pareceu ser real.
Um dia, contarei a história que gostava que esta história fosse com um "tu" e um "nós" em vez de "eu", com a "solidão" trocada pela "maior felicidade" e o silêncio por palavras que sei que toda a gente gosta de ouvir.
Talvez um dia, as histórias sejam escritas da maneira que eu as vejo sem existirem.
Talvez um dia, o meu maior medo não passe de apenas isso, um medo.
Hoje, por mais que saiba que não o estou, sinto-me só mas sem saber o que falta afinal.
(ou talvez desconfie que falta algum "eu" em mim)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Quem quer que sejas, onde quer que estejas, vem.
Chaga perto de mim e mantém-te em silêncio, fala-me com o teu olhar que não temerei responder-te com o meu.
Não fales!, porque não imaginas como os teus olhos conseguem falar bem mais alto que o timbre da tua voz.
Vou fechar os olhos como que se me tivesses colocado uma questão à qual quero que tu descubras a resposta.
(...)



Abraça-me, aquece-me e por fim fala, em sussurro, algo que sabes que quero ouvir.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

- Sabes, tenho saudades.
- Tens saudades de quê? De quem?
- Não sei mas tenho saudades.
- És tola!? Como podes dizer sentires saudades se nem do que as sentes sabes. As saudades existem sempre motivadas por algo ou alguém, não são em vão, não são do nada ou por nada sabes...
-Eu não disse que sentia saudades de nada, mas apenas de algo que não sabia que.
-Nunca senti tal coisa, não sei do que falas...
-Deixa, não tentes perceber. Talvez com o tempo, um dia, eu perceba o que tanto me faz falta.
-Eu não sinto saudades, mas posso vor a sentir, sabes? Tanto posso como não, assim como posso fazê-lo acontecer como não.
- O quê?
- Nada não tentes perceber...
Ele levanta-se, despede-se e promete que no dia seguinte continuarão conversa,
na impossibilidade de o fazer naquele momento. Volta para trás, olha-a nos olhos e beija-a como se amanhã não pudesse voltar lá.
-Eu vou sentir saudades e tu. será que sentiste saudades de algo que nunca tiveste?
Ela sorri - Tive.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Little prince, where are you?

Meu coração,
posso confessar-te um segredo, ou talvez dois ou mais que isso?

Tenho saudades de te falar.

Sei que no fundo sabes tudo o que comigo se passa, porque és tu que sentes mesmo antes de eu sentir, mas sentires fazendo-me sentir e sentires porque eu te conto que sinto não é o mesmo.

Pois bem, quero que saibas que continuas sem me dar tréguas. Nunca te cansas pois não? Às vezes questiono-me se não serás tu um provocador-nato de ti mesmo e ainda de mim simultaneamente… E tu sabes muito bem ao que me refiro quando falo em tréguas. Andas há quase um ano a pregar-me partidas e, sinceramente, eu começo a cansar-me mas também não sei que fazer de ti.

Palpitas, estagnas, sangras, bates e repetes o ciclo; palpitas, estagnas, sangras, bates, palpitas, estagnas, sangras e bates… E assim te manténs, numa inquietude constante que jamais me confere estabilidade emocional. Sabes onde isso me leva? A lugar algum.


Recordas-me que me ajudaste bastante quando não mais permitiste que lacrimejasse mais por um amor perdido, é verdade, e por isso tenho de te agradecer pois sabes bastante bem quantas noites foram passadas, só os dois, num sufoco sem fim alimentado pelas lágrimas que me lavavam a cara. Nunca saíste do teu lugar, sofreste tanto quando eu e fizeste o papel, mas cedo ou mais tarde esqueceste. Verdade é que poderia ter sido mais cedo, mas tudo o é por um motivo e eu ainda descobrirei o teu. Mas como já te disse palpitas, estagnas, sangras, bates e isso atormenta-me. Mas sabes o que mais me atormenta? Aquele nervoso miudinho que ainda me conferes quando se fala em relação a determinado assunto. Que queres tu afinal? Não são já tudo águas passadas? E se não o dizes tu, digo-o eu, são!

Sei que o ponto final dessa história que demasiado tempo levou até findar foi um pouco forçado, mas sabes tão bem quanto eu que era já a única alternativa e, sem arrependimentos, angustias ou qualquer outro tipo de sentimentos negativos te digo a ti que o sabes, um fim eterno. Mas ouso, mais uma vez, colocar-te a questão: Porque este nervoso miudinho, porque?

Falemos, então, de assuntos tão ou mais importantes.
Quando te decides decidir? Quando decides ser-me claro, ser-me objectivo e mostrar-me o que queres que faça por ti. Sabes que enquanto continuares nessa inquietude de faz não faz enquanto vai e não vai eu não me posso mover muito além de onde estou. Deixa, deixa aproximarem-se de ti e fica estático, não batas, não fervilhes, não batas e protege-te. Deixa-me saciar o desejo que a ti pouco importa sem que o sintas e será tão melhor para ti, como para mim. Deixa de ser inquieto e palpitar por meia dúzia de centímetros andantes que nunca antes viste agora, agora e depois. Andas tão incerto, já to disse mais que uma vez, não já?
E agora digo-te, se estás numa de provocar eu posso entrar no teu jogo, mas aí, sairemos os dois a perder. E tanto tu como eu sabemos o que é pregar-te partidas do sentir sem sentir, bem mais fortes que as tuas faz de conta que sente.

Ora, proponho-te a situação que considero mais viável para ambos:
Vais manter-te recluso de mim mesma e não eu de ti. E, deste modo, eu farei o que o meu intuito e mesmo o meu impulso ditar mas digo-te, meu coração, manténs-te numa batida concreta, sem corridas, sem anseios, sem sufocos, nada mais nada menos que um tum tum previsível segundo após segundo. E que assim seja, até que não eu, mas tu, vejas aproximar-se de mim o sweet little prince que a mim deverá pertencer. Mas não o procures, deixa-o chegar…
É agora, meu coração? Chegou tempo de me ouvires e não fazeres de ti som mais forte sobre a minha voz?
Anseio pela tua resposta, enquanto, certa de que não corresponderás ao meu pedido, te vou ouvindo, dia sim, dia também, repetir teu ciclo.

Palpitas, estagnas, sangras, bates, palpitas, estagnas, sangras e bates…